quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A bombinha para a asma






Os objetivos do tratamento da asma são: controlar todos os sintomas respiratórios; prevenir a limitação crônica ao fluxo de ar; garantir que o paciente realize todas as atividades normalmente, tanto na escola como no trabalho e ainda lazer e esportes; manter a função pulmonar normal ou a mais próxima possível da normalidade; evitar a ocorrência de crises, com idas ao pronto socorro e internações; reduzir a necessidade do uso de medicação de alívio; minimizar os efeitos colaterais da medicação empregada e prevenir a morte.
Como podemos observar, os objetivos do tratamento da asma são bastante amplos. Em nada correspondem a expectativa da maioria dos pacientes que preferem “reduzir a vida” a usar medicamentos diários.
O preconceito em relação aos remédios, os tabus sobre as bombinhas, enfim, as histórias de mal resultado são tão enraizadas na cultura do asmático que devemos ter muita paciência para explicar o motivo das lendas e assim, tentar desmenti-las Tratar asma é muito mais do que simplesmente prescrever o remédio certo. É conseguir envolver o paciente. É fazer com que ele realmente se comprometa com o bom andamento do tratamento.
O GRANDE OBJETIVO NO TRATAMENTO DA ASMA É ATINGIR A MELHOR QUALIDADE DE VIDA E A MELHOR FUNÇÃO PULMONAR POSSÍVEL, UTILIZANDO A MENOR DOSE DE MEDICAMENTOS, COM A MENOR CHANCE DE EFEITOS COLATERAIS.
Os medicamentos usados por via oral, ou seja, aqueles que tomamos, já são bastante conhecidos, portanto ninguém precisa explicar nem para uma criança o que é um xarope, gotas ou comprimidos. Quando eu prescrevo colírios ou pomadas também ninguém estranha. Agora, prescrever uma “bombinha”... Aí “a porca torce o rabo!” Os medicamentos inalados ainda sofrem muito preconceito, principalmente os sprays, as famosas bombinhas. Então, vamos deixar este assunto bem claro. A melhor maneira de atingirmos o objetivo acima, ou seja, tratar bem a asma é através dos medicamentos inalatórios. Quando inalado adequadamente, o remédio vai direto para os pulmões. Não precisa ser engolido, cair no estômago, ir para o sangue e só depois chegar nos pulmões. Pela boca, as doses devem ser bem maiores, pois neste caminho longo, a força vai sendo desperdiçada. E o remédio vai ficando um pouquinho aqui e ali, causando efeitos indesejáveis em locais que ele não deveria estar. Quando inalado, ele vai direto para o local desejado: o pulmão. Existem várias maneiras de inalar os medicamentos. Uma confusão muito comum é achar que “bombinha” é nome de remédio.
Por exemplo, o paciente chega à consulta e diz: “esta semana eu usei minha bombinha todos os dias”. Para mim isto soa da mesma forma que eu dizer ao paciente: “se você tiver febre, tome gotas e se tiver dor tome um comprimido”. Obviamente este paciente perguntaria: “gotas de que? Eu sempre pergunto: “bombinha de que?”, e ouço de volta: “bombinha é bombinha doutora!”. Será que conseguimos desfazer toda essa confusão? A melhor forma de usar os medicamentos para asma é a via inalatória. Para ser inalado, o remédio pode estar sob forma de partículas nebulizadas, o famoso e bem aceito inalador. Pode estar sob forma de spray nas tão faladas (injustamente mal faladas) bombinhas, ainda podem estar em pó seco e serem inalados em dispositivos diversos como turbohaler, diskhaler ou em cápsulas. Qual é a melhor? É aquela que o paciente aceita e se adapta melhor. O importante é entender que existem várias formas de inalar o remédio, mas se existe o medicamento por via inalatória, esta via deve ser sempre estimulada.
A MELHOR VIA PARA USAR OS MEDICAMENTOS DE ASMA É A INALATÓRIA. BOMBINHA NÃO É O REMÉDIO, É A MANEIRA DE USÁ-LO.
É extremamente comum o paciente ou seu familiar se recusar a usar uma bombinha e usar o mesmo medicamento em xarope e comprimido. O argumento é sempre o mesmo: “bombinha vicia”. Explico que bombinha não é o remédio e sim a caixa. Se o medicamento spray vicia, porque o mesmo remédio pela boca não teria o mesmo efeito? Depois, fazemos juntos os cálculos das doses empregadas por via oral e inaladas e chegamos a conclusão que a dose do xarope e do comprimido é quase 20 vezes maior que a da bombinha! Portanto, não existe nenhuma explicação lógica para o mesmo remédio ser maravilhoso em gotas para inalar, bom em xarope ou comprimido e mortal em bombinha.
BOMBINHAS NÃO MATAM.
ASMA MATA.

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