Asma brônquica. Intermitente ou persistente?





"Asma?" "Não, meu filho não é um asmático"; "Não, meu filho não sofre de asma"; expressões cada vez mais constantes entre pais de crianças e adolescentes.

O termo asma brônquica vem sendo rejeitado por grande parte da população, inclusive pediatras. Os pacientes têm preferência por palavras como bronquite, recriminando, literalmente, o vocábulo asma, a qual trata-se da doença inflamatória crônica mais comum da infância.

A asma representa a segunda causa de internação hospitalar, de 1 a 14 anos, no Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, a asma representa o terceiro custo total do SUS com uma única doença. O índice de mortalidade ocasionado por tal doença triplicou desde 1990. Provavelmente por subtratamento das suas crises, tal fato, ocorre principalmente no asmático crônico que expressa pouco a sua severa obstrução.

O asmático apresenta um processo inflamatório crônico nos pulmões. Manterse atento no sentido de identificar a asma com certa rapidez é muito importante, uma vez que seu diagnóstico tardio pode transformar o quadro, tipicamente reversível, em uma completa irreversibilidade do broncoespasmo, com redução da função pulmonar por remodelamento brônquico conseqüente do processo inflamatório crônico não tratado.

Temos, como exemplo, o caso de uma criança encaminhada por quadro de tosse crônica há dois anos e sem história de cansaço respiratório, chiado no peito e que apresentava pulmões limpos em todos os exames pediátricos. O diagnóstico da asma foi feito por prova de função pulmonar. Já havia tanta inflamação que seu broncoespasmo pode ser revertido apenas parcialmente com uso de broncodilatador, o qual não foi suficiente para normalizar a sua função pulmonar, que se encontrava bem abaixo do normal. Esta criança, mesmo após dois anos de tratamento antiinflamatório, continuou com a função pulmonar reduzida, porque já havia remodelamento brônquico quando do seu diagnóstico. O tratamento da asma, porém, reverteu seu quadro de tosse crônica.

A história clínica, o exame físico e a prova de função pulmonar associada à prova broncodilatadora podem não ser suficientes para o diagnóstico da asma, sendo necessário provocar os brônquios através de provas broncoconstrictoras que podem ser por medicamentos ou exercício. O exercício pode ser associado ou não, ao ar frio e seco, sendo, o paciente submetido a uma prova de esforço em esteira ergométrica ou ciclo ergômetro, para que possamos identificar o quadro de broncoespasmo.

Às vezes, após ou durante os exercícios físicos, os sintomas da asma aparecem apenas como tosse, cansaço, falta de ar, dor no peito, tonteira, mal estar ou diminuição da aptidão física. Dessa forma, é importante observar quaisquer sintomas, respiratórios ou não, deflagrados por exercícios.

Professores, treinadores, pais e pediatras devem estar sempre atentos a possibilidade da criança ter asma. Contudo, o asmático pode apresentar sintomas mais sutis e dissimulados como a tosse crônica ou quadro de pneumonias de repetição.

No período de março de 1998 à março de 2001, foram analisados 192 asmáticos persistentes do pólo de referência do nosso município. No laboratório de função pulmonar do Hospital Municipal da Piedade, foram identificados que 70% destes, apresentavam hiperreatividade brônquica (HRB), ou seja, deflagravam broncoespasmo após a prova de esforço em esteira ergométrica, sendo que 40% destes, não apresentavam qualquer sintoma relacionado aos exercícios e por outro lado 70% dos asmáticos que não apresentavam HRB, queixavam-se de sintomas relacionados aos exercícios, não sendo possível identificar pela história clínica os que apresentavam HRB. Portanto, como há elevada prevalência desta condição, em asmáticos persistentes, a broncoprovocação por exercício se faz necessária para que possamos identificar os hiperresponsivos, tratá-los para que possam reverter o quadro de asma persistente para asma intermitente, porém vale ressaltar que mesmo com comportamento intermitente não nos assegura que a HRB se reverteu, é necessária a prova de broncoprovocação com exercício para que possamos fazer o desmame medicamentoso, com segurança.

Um dos objetivos principais da identificação da asma, assim como da HRB no asmático persistente é a instituição do tratamento precoce para evitar o desenvolvimento do remodelamento brônquico, o que infelizmente tem sido constatado em muitas crianças do referido pólo. A moderna abordagem no tratamento do asmático vem sendo colocada em prática nas diversas regiões do mundo e já demonstrou reduzir a necessidade de deslocamentos às Unidades de Emergência e dos custos humanos e financeiros da asma.

Fonte: Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro
Asma brônquica. Intermitente ou persistente? Asma brônquica. Intermitente ou persistente? Editado por saude.chakalat.net on 13:37 Nota: 5

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